A Direita que Perde a Cabeça Quando Lhe Cobram a Coluna
By Hotspotnews
Em maio de 2025, Ana Paula Henkel jogou a granada no meio do almoço dominical da direita brasileira: um senador do PL, o mineiro Cleitinho, mandou e-mail para a Revista Oeste exigindo a demissão imediata do jornalista Silvio Navarro. Motivo? Navarro estava fazendo o que qualquer conservador decente deveria fazer: cobrar publicamente se aqueles senadores “de direita” iam mesmo entregar o STF nas mãos de Flávio Dino, o ex-ministro que passou a vida defendendo bandido e demonizando polícia.
O senador, sentindo o calo apertar, não ligou para o gabinete de Navarro, não mandou recado por assessor, não tentou argumento. Preferiu o caminho covarde: correr para os donos da revista pedindo a cabeça do jornalista que ousou lembrar que voto tem consequência. Foi um ato tão patético que até quem detesta a Oeste ficou com vergonha alheia.
A história poderia ter morrido ali, abafada como tantas outras. Mas o destino tem senso de humor cruel. Sete meses depois, em 9 de dezembro de 2025, Silvio Navarro foi efetivamente demitido da Revista Oeste. Não por ordem de Cleitinho, claro. Dessa vez o pretexto foi uma briga interna, um xingamento mal colocado, pedido de desculpas não aceito, essas coisas que só servem para maquiar o que todo mundo já sabe.
Navarro, nos últimos meses, vinha apoiando abertamente Flávio Bolsonaro na disputa pela liderança da direita em 2026. Isso bastou. Na mesma semana em que a revista decidiu que ele era “tóxico”, Navarro já estava contratado pela Auriverde Brasil e recebendo tapinhas nas costas de Carlos Bolsonaro. Coincidência adorável.
O recado ficou cristalino: na direita brasileira de hoje você pode trair o eleitor, pode votar em Flávio Dino, pode ajoelhar para o centrão, pode tudo. Menos duas coisas: cobrar senador que se diz conservador e, principalmente, escolher o Bolsonaro errado.
Cleitinho nunca pediu desculpas. A Revista Oeste nunca explicou por que achou normal um parlamentar mandar na linha editorial. E a base conservadora, mais uma vez, engoliu calada enquanto via um dos poucos jornalistas que ainda batiam no STF ser fritado por conveniência política.
Resultado? A direita segue comendo os próprios filhos. Enquanto isso, Flávio Dino ri à vontade do seu gabinete vitalício no Supremo, sabendo que, no fim das contas, sempre pode contar com os “aliados” certos na hora do voto.
Parabéns a todos os envolvidos. Missão cumprida: o inimigo agradece.

