Emocionado, Flávio escreve carta de Dia dos Pais a Jair Bolsonaro: a saudade que nenhuma proibição consegue apagar
By Hotspotnews
Neste domingo de Dia dos Pais, enquanto milhões de brasileiros abraçavam seus pais, trocavam sorrisos e ouviam piadas antigas à mesa, Flávio Bolsonaro não pôde fazer o mesmo. Proibido de visitar o pai, Jair Bolsonaro, ele escolheu o caminho mais íntimo e mais doloroso: escrever uma carta. E a leu em vídeo, com a voz embargada, as lágrimas escorrendo sem disfarce.
“Pai, acabei de fazer uma agenda em Itapetininga, em São Paulo, quando tomei ciência de que o nosso pedido, meu, do Carluxo e do Renan, havia acabado de ser negado. Por isso, lhe escrevo, pois não poderei te dar um abraço e matar a saudade como gostaria.”
As palavras saem simples, sem floreios políticos. São de um filho que, no meio da campanha, no meio da rotina intensa, para tudo porque a notícia chega: o pedido de visita no Dia dos Pais foi negado. Não haverá o aperto forte, o olhar de cumplicidade, o silêncio confortável de quem se conhece há uma vida.
Flávio continua, e a emoção sobe:
“Estou com saudade de ouvir sua voz, sua risada, suas piadas sem graça. Mas não tem mal que dure pra sempre. Deus só está nos capacitando pra algo muito maior em nossas vidas. Até breve. Te amo. Fique com Deus.”
Há algo profundamente humano nessa saudade das “piadas sem graça”. Não é o discurso do candidato, não é a fala do senador. É o menino que cresceu ouvindo o pai, que conhece o tom da risada, que sente falta exatamente daquilo que ninguém mais no mundo consegue reproduzir. É a memória viva de um homem que, mesmo distante e isolado, continua sendo o centro afetivo da família.
No vídeo, Flávio chora em vários momentos. Não tenta esconder. A câmera captura o rosto vermelho, a voz falhando, a luta para continuar a leitura. Em meio às lágrimas, ele ainda encontra força para atualizar o pai sobre a campanha: os palanques que estão sendo fechados, as lideranças que se aproximam, a certeza de que o caminho segue, mesmo sem o apoio formal de alguns partidos de centro. É como se dissesse: “Pai, estou cuidando do que você me confiou. Mas, hoje, o que eu mais queria era só te abraçar.”
O Dia dos Pais costuma ser feito de presença. De café da manhã, de conversa longa, de foto em família. Quando a presença é negada, resta a carta — esse instrumento antigo e poderoso que atravessa grades, decisões judiciais e distâncias. Uma carta que não pede nada além de ser lida. Que não exige resposta imediata. Que apenas diz: eu estou aqui, eu sinto sua falta, eu te amo, e acredito que esse tempo difícil não será eterno.
Há uma fé quieta nas palavras de Flávio. A certeza de que “não tem mal que dure pra sempre” e de que Deus está preparando algo maior. Não é resignação. É esperança teimosa, daquelas que se sustenta mesmo quando o abraço é proibido e a visita é barrada.
Neste Dia dos Pais diferente, a carta de Flávio se torna mais do que uma homenagem. É um testemunho de amor filial que resiste às circunstâncias. É a voz de um filho que, mesmo longe, continua perto — pela memória, pela saudade e pela certeza de que, um dia, o “até breve” se transformará em um abraço longo e demorado.
Te amo, pai.
Fique com Deus.
Até breve.


